Maio 2008


 

Um intelectual foi encontrar um mestre religioso, e ambos passaram a noite inteira conversando sobre religião.

Assim que os primeiros raios de sol surgiram, o intelectual observou:

 

- Ah!, que noite abençoada foi essa! Ficamos aqui sentados, discutindo coisas tão importantes. Muito melhor que passar uma noite sozinho com meus livros.

 

E o mestre comentou:

 

- Pois achei uma noite horrível. Foi uma perda total de tempo.

 

- Mas por que? – perguntou o intelectual, surpreso.

 

- Durante todo o tempo, você tentou dizer algo que me agradasse e eu tentei lhe dar respostas que o deixassem contente. E, em vez de encararmos nossas diferenças e compreendermos que só assim podemos evoluir, tentamos o tempo todo agradar um ao outro.

 

(autor desconhecido)

 

E você costuma jogar conversa fora?

Eu já fiz muita ‘política’ na minha vida… <:o)

 

 

- Por Frank -

 

Dou um passo para frente, volto duas casas para trás.

 

Lembro-me, por um segundo, da minha casa na praia do infinito e, logo depois, tudo se vai numa onda, vira lembrança de sonho ou promessa de político. 

 

O que há com essa tal de Espiritualidade? Que força é essa que me impede de lembrar?

 

Até parece conspiração. Desconfio que deva haver Homens de Preto apagando a minha memória, logo depois que eu vislumbro um pedacinho da vastidão do universo; só assim para explicar porque aquela lembrança de “projeção da consciência”, que era tão forte e real ontem à noite, agora mais parece devaneio ou ilusão criada por reações químicas provocadas por falta de oxigênio no cérebro; mas, eu sei que, se forçar um pouquinho a memória e a mente racional não atrapalhar, conseguirei até lembrar da cor das asas e da euforia de voar pela Rua do Carmo, meio torto, meio caindo; sentindo uma extrema sensação de liberdade e familiaridade.

 

Um pequeno passo da alma e um gigantesco salto para o ego.

 

Sou leve, sou folha ao vento. Sou Fernão Capelo Gaivota, sou pássaro preto.

Livre da gaiola, abraçando o mundo. O céu convida para a dança e eu bailo pelo ar.

Queria planar assim por horas, mas caio do “cavalo astral” e abro os olhos no corpo físico.

A lembrança ainda está aqui, deitada na cama, entre eu e minha mulher.

- Auri, voei de novo! – acordo a esposa. Ela ouve, será que escuta?

 

- Claro! – diz ela – Se for voar de novo, não se esqueça de fechar a janela, está frio!

 

São Paulo, 13 de maio de 2008.

 

- Nota do Texto:

 

“ Projeção da consciência” – é a capacidade parapsíquica – inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.

Sinonímias:

Viagem astral – Ocultismo.

Projeção astral – Teosofia.

Projeção do corpo psíquico – Ordem Rosacruz.

Experiência fora do corpo – Parapsicologia.

Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.

Viagem da alma – Eckancar.

Viagem espiritual – Espiritualismo.

Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.

Arrebatamento espiritual – autores cristãos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Daniel Castro, em sua coluna sobre TV na Folha de SP (conteúdo apenas para assinantes) informa que o médium Luiz Gasparetto, na tentativa de salvar seu programa na Rede TV, “resolveu apelar a sessões de incorporação de espírito” durante o programa.

Diz o colunista que a tal incorporação fez “tanto sucesso” que a emissora já está fazendo chamadas para o próximo programa, onde o médium “promete incorporar ao vivo e atender a telefonemas de aflitos.”

Daí o articulista conclui, com uma ponta de ironia que “ameaçado de sair do ar, o programa foi salvo pelo Além.”

Ao ler essa nota, eu me lembrei de um livro que li (não lembro o nome) onde um dos personagens era um rapaz com uma mediunidade exuberante e que usava sua mediunidade para o bem geral. Seus inimigos desencarnados não gostavam muito disso, tampouco os demais inimigos da Luz. Então arquitetaram um plano em que, usando as más tendências do médium, o fariam cair em descrédito.

E assim aconteceu. O benfeitor que se utilizava dele para os trabalhos acabou se afastando em função da situação moral do médium, tendo sido imediatamente substituído por um mistificador que aumentou as situações ridículas pelas quais o médium passava o que, ao longo do tempo, fez com que o trabalhador caisse em descrédito.

Tudo isso reforça em mim a necessidade de me manter junto a um grupo de trabalhadores e amigos em quem confio para que, ao verem que estou começando a enfiar o pé na jaca, me ajudem, alertando-me sobre as escolhas equivocadas que faço.

Nossa vontade e perseverança ainda são muito frágeis e, por isso, somos facilmente manipuláveis por aqueles que não nos querem bem ou não gostam dos trabalhos que executamos.

Infelizmente ainda não sabemos lidar muito bem com nosso livre arbítrio e nos esquecemos facilmente que “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”.

Por tudo isso é importante ficarmos atentos a todos os exemplos que nos chegam.

Inclusive aos maus exemplos….

Corpus Christi espírita?

Sim.

Eu frequentei (durante alguns anos) a Igreja Católica. Cheguei a dar palestras em cursos de noivos (verdade!!!)

E durante o tempo que frequentei a IC, foi um tal de senta, levanta, se benze, toma comunhão…. e eu sem entender nada disso mas fazendo tudo aquilo que os outros faziam: senta, levanta, se benze, etc…

Agora eu me pergunto se não estamos fazendo o mesmo no espiritismo: chega, assiste palestra, toma passe…. será que nossos frequentadores sabem porque estão fazendo isso?

Será que nós, que estamos à frente de nossas casas, estamos fazendo nosso trabalho corretamente?

Estamos apresentando o espiritismo como uma ferramenta para nos tornarmos pessoas melhores, espíritos melhores?

Ou estamos apenas dizendo “estude aquilo, tome passe, frequente uma desobsessão” sem mostrarmos a essência do espiritismo que é reconhecer nossas dificuldades e as corrigirmos para sermos pessoas melhores.

Sei não… as vezes tenho a impressão que estamos apenas oferecendo o velho “corpo e sangue de Cristo” em comunhão…

O UOL traz hoje uma foto de materiais apreendidos pela PF numa operação para prender uma quadrilha de ladrões de senhas bancárias.

Veja a foto aqui: http://noticias.uol.com.br/album/080520_album.jhtm?abrefoto=24

e repare que o micro apreendido exibe feliz e satisfeito um adesivo que diz “100% Jesus”.

É o retrato nu e cru daquilo que a maioria de nós entende por “seguir uma religião”. Mantemos os dogmas, os ritos, a (porque não?) pureza doutrinária, mas pouco fazemos para modificar o homem velho que mora dentro de nós.

E, no final, “Jesus” acaba preso… :-)

A Folha de São Paulo de hoje, 19/05, vem com uma matéria sobre a criação da Associação Jurídico Espírita do Estado de São Paulo.

Tal associação surge com a proposta de “espiritualizar o Poder Judiciário”.

Por mim, tudo bem. Acho que devemos espiritualizar todas as atividades de nossa vida. Levar os valores espíritas para nossas atividades cotidianas é um de nossos deveres pois devemos ser espíritas (ou seja, pessoas que praticam a moral espírita) dentro e fora de nossas casas de oração e atividade.

A porca só começa a torcer o rabo quando a Associação defende a aceitação de psicografias como parte de processos.

Eu sei que isso não é novidade e que já aconteceu antes e acho até interessante que passem a ver as psicografias como algo natural. Mas eu me preocupo quando querem transformar isso em norma pois sabemos que existem médiuns e médiuns, assim como existem psicografias e psicografias.

Tenho certeza que as intenções são as melhores, mas acho que o assunto deveria ser melhor discutido. Não por acaso o assunto já começa a levantar polêmicas nos meios jurídicos, polêmicas que, em breve, chegarão ao meio espírita.

E você? O que pensa a respeito?

 

Era uma vez um homem que só via e realçava o mal em tudo o que fazia. Um dia, ele morreu e “partiu desta para melhor”. Só que do lado de lá, havia um companheiro que

não largava do seu pé, e o seguia o tempo todo. Era um verdadeiro “mala”: egoísta, pessimista, mal-humorado, critiqueiro, mal-agradecido e que só se sentia bem quando estava mal.

 

— O homem, não o suportando mais, foi a um anjo e implorou:

 

— Por favor, livra-me da companhia daquele sujeito. Eu já não agüento mais…

 

O anjo, entre admirado e compadecido, respondeu:

 

— Mas não há nenhum companheiro. Aqui só existe um sistema de espelhismo, que faz com que cada um veja e conviva com o que formou de si mesmo. Depende somente de você libertar-se dele.

 

Autor desconhecido

 

Um membro de determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso, deixou de participar de suas atividades.

Após algumas semanas, o líder grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O lider encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante de uma lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.

Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando.

O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.
Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente, selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou, então, a sentar-se, permanecendo
silencioso e  imóvel.

O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos, a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo se apagou de vez.

Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada. Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O lider, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo.

Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele. Quando o lider alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:

- Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.

autor desconhecido

…….

 

O discípulo se aproximou do mestre e falou:

 

— Durante anos busquei a iluminação, sinto que estou perto.

 

Quero saber qual o próximo passo.

 

O Mestre calmamente perguntou:

 

— E como você se sustenta?

 

— Ainda não aprendi a me sustentar; meu pai e minha mãe me ajudam.

 

Entretanto, isso são apenas detalhes. Me diga qual o próximo passo para iluminação.

 

— O próximo passo, falou o Mestre, é olhar o sol por meio minuto.

 

O discípulo obedeceu. Quando acabou, o mestre pediu que ele descrevesse o campo à sua volta.

 

— Não consigo vê-lo, o brilho do sol ofuscou meus olhos – respondeu o discípulo.

 

Então, o Mestre sabiamente comentou:

 

— Um homem que apenas busca a luz e deixa suas responsabilidades para os outros, termina sem encontrar a iluminação.., um homem que mantém os olhos fixo no sol termina cego.

 

 

 

 

 

FUGIO UMA ESCRAVA DE SEMBLANTE AUSTERO E MELANCÓLICO

O “Monitor Campista” de 11.06.07 publicou e tirei para reflexão:

Há 150 anos – “Fugio de José Joaquim Marques de Carvalho, a sua escrava de nome Guilhermina, de nação Angola, de 50 a 60 annos de idade, corpulenta, preta, de semblante austero e melancolico; tem os pés inchados, e o dedo mínimo direito encolhido e levantado, em virtude de uma ferida que teve, hoje cicatrizada, pelo que no pizar deixa a dita preta sómente a pegada da planta do pé, e dos quatro dedos menos do mínimo: quem da mesma der notícia a seu senhor, morador no sertão da Saudade, ou a Moyzes Marques de Carvalho, nesta Cidade, ou apprehende-los será gratificado”.

 

Quem tem um semblante austero, pode ser interpretado como alguém que está determinado em alguma coisa, preocupado com aquilo, e até mesmo aflito por aquilo dado a rigidez com que encara a tarefa ou objeto. Coloco-me no lugar daquela escrava e me vejo com o fito único de alçar a liberdade, e ajudar outros a alcançá-la, independente da aspereza da luta nesse mister.

 

Nossa escrava Guilhermina, de 1857, que provavelmente morreu sem conhecer a abolição, tem os pés inchados, no dizer de seu senhor. Foi dessa forma que Cândido Portinari retratou o trabalho, já não escravo pois que era remunerado, nas lavouras de café na primeira metade do século 20. Pés inchados, por falta de condições de trabalho, a atestar a continuidade da exploração, mesmo após a abolição.

 

Como hoje, já não os pés, mas contas – correntes ou não, inchadas de juros ou de podridão. Portinari foi perseguido por mostrar essas mazelas. Perseguidos hoje são os que buscam a liberdade de consciência, a quebra das imposições de um sistema superado que não consegue educar, distribuir, promover o desenvolvimento, tornando a escravizar pela promessa de um céu de beatitude, pela taxação abusiva, pelo desemprego, pelo sub-emprego, pelo consumismo, pela quebra dos sonhos, pela negligência com a vida e com o futuro de um povo.

 

São poucos os que se deram conta de que é melhor lutar contra a perpetuação de um estado de coisas do que ser parte dele. Melhor ser partícipe de um futuro melhor e construí-lo desde já.

Mas não é só o sistema que embrutece e atrofia a sensibilidade. A falta de humanitarismo também o faz e de nada vale dizer que é pelo costume da época, pois em todas as épocas tivemos grandes humanitaristas; aqueles que foram contra os costumes de seu tempo e estabeleceram novos paradigmas e modelos. Temos muitos, em nossa própria História, inclusive aqui de Campos mesmo (José do Patrocínio, entre outros) que, enquanto a maioria escravizava, eles estendiam as mãos e lutavam contra aquele estado de coisas. Devemos muito a eles; é tempo de retribuir.

 

O senhor da escrava, embora soubesse que sua condição era penosa, pois atesta que ela tinha entre 50 a 60 anos e que pisava mal, era austera e melancólica, se rende à sua época e não lhe concede a liberdade, independente do clamor pela abolição oficial que viria. Pelo contrário: caça e gratifica a quem lhe desse caça.

 

Que mundo estamos construindo para as futuras gerações, já que as condições de competitividade não são iguais, prevalecendo quem pode mais, enquanto que a luta pela sobrevivência é de todos, formando nessa competição desvairada, legiões de excluídos entre os que não tem as mesmas oportunidades que os poderiam habilitar à porfia? Escravos de um sistema, já nem têm mais para onde correr. Se querem continuar transitando pelos corredores da honestidade, se tornam presas fáceis do sistema, como caças, de chapéus nas mãos. Os que transitam por outros corredores, fazem, por sua vez, caças, com as armas nas mãos. E, mais uma vez a história parece se repetir, fazendo lembrar os povos bárbaros que vieram cobrar do Império Romano aquilo que não lhe fora facultado por quem o deveria fazer: a educação e as oportunidades de desenvolvimento, passaram a ser exigidas pela força.

 

O império de hoje está fazendo a lição de casa? É possível isolar-se do mundo? Afinal, o conjunto das necessidades humanas é bem maior do que o conjunto dos que detêm as riquezas do mundo e que se banqueteiam no fausto da opulência que afronta a necessidade. Permanecem a indiferença e a acumulação para os poucos, em detrimento de muitos. E isso vem correndo os séculos de forma amarga e rude.

 

Cadê os líderes de hoje; os dos G-8, G-5, G-n? Muita polêmica, muito fermento como os dos fariseus, mas nada a acrescentar de novo no front da luta ingente da promoção da igualdade no mundo, à qual teimam em se furtar.

 

Ao lembrar do semblante de Guilhermina, elevo o pensamento a Deus e pergunto quanta melancolia ainda grassará o planeta até que a verdadeira justiça se estabeleça entre nós?

 

Reflito: e os ceifeiros? O que digo? Eles estão ocupados com as obras do amor do próximo, como tenho testemunhado por esse interior afora. A mídia deles é a do coração e poucos são os que se acertam com ela. Exige trabalho, abnegação, devotamento e recolhimento ao recôndito do coração, onde as luzes dos holofotes não penetram, mas a luz da sublimação do Ser se substancia paulatinamente. A fome abrandada, a lágrima enxugada, a mente esclarecida, são construções de esperança no porvir glorioso da humanidade a que eles se entregam hoje, como o fizeram outrora, em todos os campos de atuação humana, os grandes vultos da humanidade, a quem muito devemos. Não só a eles, pois sozinhos não poderiam fazer tudo o que fizeram, mas também aos trabalhadores anônimos de todas as grandes causas humanas. Anônimos, como hoje também os temos, a despeito da Babel da indiferença, do individualismo e do desamor em que se transformou o mundo. São virtuosos e não o sabem. Simplesmente trabalham no anonimato e na renúncia a si mesmos e às ilusões do mundo, sem se questionar nada, como que atraídos pela doce ressonância do chamado que prossegue correndo os milênios, em busca de ouvidos de ouvir e de corações de boa vontade de fazer: “E se alguém te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele ainda mais dois mil”, como a nos concitar ao devotamento e abnegação, à responsabilidade e ao comprometimento na grandiosa tarefa: vai além de teu mundo e dos teus; estende tua solicitude ao teu irmão do caminho independente de quem seja ele; faça com que tua vida valha à pena para que possas estar apto ao salário do justo.

 

E, nessa luta contra as injustiças, não querer ser responsável por injustiças já é um começo. Não querer ver ninguém melancólico, como as Guilherminas de hoje, por causa ou omissão própria já é um norteamento.

 

Não querer nada para si que não lhe seja justo, e lutar contra as injustiças humanas, mesmo que isso não represente mais do que a aparentemente inócua repercussão sobre o mundo do bater de asas de uma borboleta, já é um avanço. Bater de asas que pode ser configurado numa simples atitude ética de não tomar o que não lhe pertence, de não desrespeitar ninguém, mesmo naquilo que aparentemente possa parecer insignificante como se antecipar em um lugar na fila – seja de que natureza for essa fila, em detrimento de outros legítimos possuidores da vez, mesmo que estes estejam vestidos com a túnica da humildade. Afinal, somos todos iguais, e, mesmo que alguns pensem que são melhores, se assim passarmos a pensar, na igualdade, não haverá mais espaço para os dramas das Guilherminas, das Marias, dos Josés e dos Joãos.

 

Pequenas ou grandes atitudes em favor da moral são asas da liberdade, sim, e é preciso multiplicá-las, os que têm fome e sede de justiça, pois dia virá em que a verdadeira noção de justiça se fará sobre todos e já não haverá mais Guilherminas correndo assustadas e melancólicas, fugindo de seus algozes em busca de um canto de paz em que possam afogar suas melancolias e reencetar um novo viver. Haverá, sim, Guilherminas convivendo em um mundo mais humano, sob o influxo da liberdade e do amor fraterno, onde a melancolia e outros males não habitarão.

Por que será que o lugar se chamava “Sertão da Saudade”; seria por causa da melancolia de Guilhermina e outros tantos como ela? Saudades de Angola? Escolhamos nós mesmos o nome do lugar onde queremos viver e lancemo-nos à tarefa de realizar algo como uma espécie de “Recanto da Fraternidade”, ou coisa parecida, sem melancolias ou medos, onde o sentimento marcante dos corações seja o do amor fraterno. Lugar tão grande e acolhedor, que, em contraposição com a chocante realidade do panorama do mundo que temos, haverá espaço e oportunidades para todos que assim o desejem e se esforcem, independente da condição atual de cada um. Esse recanto é o próprio mundo, que aguarda a tarefa de reconstrução, a começar pela renovação de nosso próprio mundo íntimo em favor de nós mesmos e, por conseguinte, de todos nós.

 

A propósito, estamos aptos às nossas cartas de alforria? Já somos os escolhidos ou apenas estamos na legião dos “muitos os chamados”?

 

O tempo passa ligeiro, diz a canção…

Anderson

13.05.08

 

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