abril 2008


“A sabedoria de um ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe”.

Com esta frase retirada do livro O Futuro da Humanidade, de Augusto Cury, é que eu começo minhas reflexões a respeito de algo polêmico na Psicologia, a existência de Deus.

Falar, na sala de aula, em Deus, espíritos, energia, outras vidas, reencarnação e tudo o mais que a ciência não pode comprovar, é o mesmo que caminhar em terreno minado. Afinal, a Psicologia é uma ciência e não poderia admitir esses “termos” em seu vocabulário.

Então, eu fico me perguntando: Se a palavra “psique” pode ser traduzida como alma, como negar as perguntas De onde viemos?, Para onde vamos?. Se eu não vejo, significa que não existe pois eu não posso explicar? Bom, eu não vejo o ar que eu respiro, no entanto, ele está por toda parte e sem ele não poderia viver…

Os cientistas dirão que não há nada que prove a existência de Deus, mas então há algo que prove que ele não exista?

A morte é mesmo o fim da vida, e após isso apenas nos resta o céu e o inferno? Se for mesmo assim, e foi Deus que inventou isso, prefiro mesmo não acreditar que ele exista…

Deus não é algo para ver e crer, mas simplesmente sentir, saber… Como sinto o ar, o vento a chuva…

Mas o que isto tem a ver com a Psicologia? Para mim, a Psicologia deveria ter Deus como aliado e não como inimigo.

O problema é que as pessoas logo acham que estamos falando de religião e misturando os contextos. Mas Deus não tem nada a ver com religiões, ele está muito mais próximo da alma humana, de nossos anseios, emoções, sensações, do que de templos, estátuas ou livros.

Não preciso ser espírita, católica, evangélica para acreditar em Deus e não é pelo fato de ser psicóloga, médica, enfermeira, jornalista ou professora que não posso crer que Ele exista… Sou um ser humano, ou melhor, sou um espírito no meio de uma infinidade de experiências e oportunidades. Cada ser é um, e não adianta apenas desenvolver uma técnica ou aprender milhões de teorias, pois cada indivíduo busca algo diferente, e apesar da imensa importância que todas as técnicas e teorias têm, elas não representarão nada se não acrescentarmos a elas a nossa essência, se não as utilizarmos com nosso amor e vontade de auxiliar o outro.

Nós também somos Deuses, pois também criamos nossa história, nossas escolhas são feitas por nós mesmos… Podemos crer que estamos amparados em algo maior, que está em tudo e todos, inclusive dentro de nós, ou podemos viver vazios em nosso universo onde a ciência é nosso “Deus”, mas ainda não consegue resolver as grandes questões como violência, guerras e doenças, e nem mesmo responder àquelas perguntas que mais nos intrigam…

Costumam dizer que há 2 tipos de Deus: um que criou os homens e o outro que os homens criaram. Em qual eu acredito? Não importa. O que importa é como eu vivo e o que eu faço com o que acredito; se for algo bom para mim e para o outro então está tudo bem, Deus estará ali.

E você em que acredita? (Ou seria em quem?)

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Hoje na Folha de São Paulo, Carlos Heitor Cony fala sobre o bem e o mal, encerrando sua crônica com uma frase do poeta Ovídio, que diz “Vejo o Bem e o aprovo, mas faço o Mal “.

Me chamou a atenção o fato dessa frase ser muito parecida com aquela de Paulo, onde ele reconhece que não faz todo o bem que deseja, mas que o mal que não deseja, esse ele faz, o que, no fundo no fundo, é a realidade de quase todos nós que ainda nos debatemos entre aquilo que a razão nos manda fazer e aquilo que nosso sentimento nos leva a fazer.

Porém, estamos chegando num momento em que, cada vez mais, precisamos reforçar nosso compromisso com o bem, abdicando do mal, seja a forma que ele tomar.

Nesta fase de transição onde luz e sombra ficam cada vez mais contrastantes, é importante sabermos exatamente de que lado pretendemos ficar, lembrando sempre o ensinamento evengélico que fala que não basta não fazer o mal, mas é necessário fazer todo o bem possível.

Dia seguinte ao terremoto em São Paulo. Chego ao trabalho e encontro meus amigos evangélicos excitadíssimos: “É o fim do mundo! Exatamente como está na Bíblia: terremotos, doenças, pais matando filhos… é o fim do mundo!”

O bom nessa história é que eu concordo com eles. Acho mesmo que o “Final dos Tempos” chegou. Claro que não iremos acabar num mar de fogo, mas vejo que estamos atravessando tempos de mudanças, tempos de destruição para reconstrução.

A grande questão que fica é: E nós? Estamos preparados? Como ficaremos nessa mudança?

Voltarei ao assunto.

Amigos, bom dia!

Notícia sobre uma palestra do Bill Gates dirigida a jovens de uma escola secundária retrata uma realidade: a das ilusões e das facilidades que a infância e juventude de hoje tem às mãos, o que não condiz com a realidade que irão enfrentar, como nós já enfrentamos e estamos enfrentando e, por isso, sabemos das dificuldades de toda ordem e da necessidade de constante aprimoramento, quanto mais nem se quer fazer o básico, o inicial.

Tomemos como exemplo o jovem que tem aprovação escolar mesmo que não tenha reunido as condições de aprendizado que o habilitariam à vida.
E, em outro exemplo, o que tem em casa facilidades sem responsabilidades.

Ele experimenta essa ilusão de hoje sem se lançar na quebra dessa inércia. Sem saber ainda a amarga cobrança que a vida vai exercer sobre ele em forma de frustração no campo da realização pessoal e, na vida do espírito, em forma de oportunidade perdida.

Talvez não baste uma crítica a esse estado de coisa ou a esses jovens e crianças. Talves sejamos nós mesmos (no sentido amplo) que não estejamos sabendo como educá-los.

Aqui é o avô desprovido ou não, que cobre as despesas do neto sem maiores ponderações; ali é o aposentado alquebrado que financia no INSS um empréstimo para despesas dos filhos que não têm compromissos com a
responsabilidade; acolá é o professor que deixa passar ao largo os desvios do aluno; mais adiante é a tia ou o tio que acham engraçado a “má criação” do sobrinho, e, muito próximo, são os próprios pais, muito preocupados com o seu próprio mundo, desconhecendo o mundo íntimo de seus filhos.

Jovens que pensam que têm todo o tempo do mundo para as suas realizações no campo do compromisso com a vida.

Depois eles vão se voltar contra esses mesmos que sustentaram suas ilusões, que terão como retorno que sustentá-los além da conta, pois pouco, quando nada, poderão produzir por sua própria conta e interesse.

Poderão se voltar também contra a própria sociedade que fabricou as ilusões e que agora abrigará em seu seio possíveis párias, quando não marginais.

Facilidades em excesso muitas vezes se transformam em taça de féu pelo vazio que se traduz. Esforço próprio é recompensa em forma de paz de consciência pelo dever cumprido e progresso alcançado.

E isso tudo começa no berço. O “nana neném”, poderia ter continuidade; algo como, “estuda e trabalha meu filho; ama a vida e aprende com ela; esse é o caminho da realização e da felicidade”. Assim, a Cuca não vai pegar; não haverá choro e ranger de dentes.

Essa é, infelizmente a realidade. Porém, como disse Bill Gates, aqueles mais aplicados provavelmente serão os chefes do futuro.

E aí damos uma visão mais ampla a isso: serão os que estarão, provavelmente, à frente de tudo e não somente das empresas. Aliás, essa idéia se encaixa com o que dizem os espíritos em A Gênese, capítulo XVIII, a
respeito da Geração Nova, no sentido mais voltado à questão da regeneração da humanidade pela renovação dos espíritos, guardada a necessidade de oportunidades aos espíritos renitentes no mal. E as oportunidades estão aí, nas sucessivas encarnações. Pena que muitos não estão sabendo aproveitar, solapados pelos enganos do mundo.

Se conseguirmos fazer com que os nossos jovens e crianças compreendam isso, já teremos feito alguma coisa para mudar esse estado de coisas. Viver no mundo sem ser do mundo. Mais ainda: contribuir para a construção desse mundo melhor.

E, nesse caso, não está se colocando a defesa da competição desvairada, como se viu e ainda se vê, depois da abertura econômica, onde tudo era aceito em nome da competitividade.

Não está se colocando o orgulho de ser o melhor, mas apenas a constatação de que podemos ser mais do que somos. De que podemos ser mais felizes do que somos.

O que se busca é uma sociedade mais comprometida com o seu destino glorioso de emancipação para Deus. Afinal, não é isso que todos queremos, um mundo melhor, uma sociedade mais justa, mais humana?

Felizmente temos jovens e pessoas em geral modificando o mundo para melhor, ocupando cargos que, de uma forma ou de outra, contribuem para um estado de transformação. Alguns são até perseguidos por isso.
Vemos isso nas instituições humanas em geral. É uma mudança lenta, mas já salta aos olhos.

Somos agentes dessa mudança; do soerguimento dos valores humanos.

O espírito encarnado sofre a influência do meio.

Sabemos, no entanto, que o espírito pelo livre-arbítrio pode resistir ou se entregar aos arrastamentos que o seu passado sugere, fortalecidos pelo meio em que vive. 

Porém, a continuar essa situação, na qual uma sociedade já não se identifica com os seus valores, onde o pior é o melhor, então fica ainda mais
eloqüente essa influência do meio sobre o espírito encarnado.

Por isso, cada vez mais o espírito que reencarna, terá que ter forças ainda maiores para resistir ao mundo.
E os pais, familiares e educadores de uma forma geral, tem papel preponderante na construção de um futuro melhor para a sociedade.

A criança é planta tenra que precisa ser preservada da erva daninha.

Que papel estamos exercendo, o de ceifeiros ou de erva?

Os meios de comunicação, que, ao que parece, têm sido o grande vilão desse estado de coisas, poderão, quando a sociedade assim o desejar, exercer papel preponderante nessa melhoria, pois têm essa competência, facilitando o trabalho dos pais e educadores.

Como educadores, seja de que matiz for, podemos contribuir para minorar essa dura realidade. Podemos começar por não alimentar as ilusões nas nossas crianças e jovens. Afinal, pelo estudo e trabalho edificante, o espírito encarnado têm outras opções que não apenas a das ilusões que assolam o mundo.

Não basta fazer a nossa parte; é preciso também que facilitemos aos que estão sob nossa responsabilidade nessa encarnação para que por sua vez façam a parte deles. E as facilidades que estamos colocando a eles
precisam do selo de qualidade da boa influência.

A quantas andamos nós nessa tarefa?

Um abraço a todos.
Anderson

Estou lendo “Quem sabe pode muito, quem ama pode mais.”

O título já é auto explicativo, mas fica a dica para quem gosta de ler livros espíritas, principalmente diante desse deserto de livros (muita areia e poucas árvores….)

Não vou falar sobre Isabella.

Vou falar sobre aqueles que saem de suas casas e vão até a porta de uma delegacia de polícia para chamar os supostos assassinos de “assassinos”…

O que leva uma pessoa a agir assim?

Não há aqui uma crítica, mas sim uma questão a ser pensada.

Há 2000 anos, os fariseus levaram uma mulher adúltera até Jesus. O objetivo era fazer com que ele a condenasse porque a Lei dizia que uma adúltera deveria ser apedrejada.

O Mestre sabia que ela era adúltera. Mas também sabia muito a respeito daqueles que a condenavam e, por isso, lançou o seu ensinamento: “Aquele que estiver sem pecado que atire a primeira pedra.”

Será que aqueles que estavam ali, diante da delegacia estavam sem pecados?

Será que nós, no conforto de nossas poltronas, diante da televisão que exibe os detalhes sórdidos do caso , estamos sem pecados, a ponto de condenar aqueles que, supostamente, cometeram o crime?

Não seriam todos ali, apenas vítimas?

Este é o primeiro post deste blog e o seu título dá uma idéia do que você irá encontrar aqui.

Não importa se você é espírita, espiritualista, umbandista, chiquista, divaldista, roustainguista ou outro “ista” qualquer.

Se o teu objetivo é pensar um pouco sobre você e o que você faz neste mundão de Deus, este é o teu lugar.

Assim, seja bem vindo! Concorde, discorde, comente, discuta. Este blog não tem dono.

Este blog é nosso.