Amigos, bom dia!

Notícia sobre uma palestra do Bill Gates dirigida a jovens de uma escola secundária retrata uma realidade: a das ilusões e das facilidades que a infância e juventude de hoje tem às mãos, o que não condiz com a realidade que irão enfrentar, como nós já enfrentamos e estamos enfrentando e, por isso, sabemos das dificuldades de toda ordem e da necessidade de constante aprimoramento, quanto mais nem se quer fazer o básico, o inicial.

Tomemos como exemplo o jovem que tem aprovação escolar mesmo que não tenha reunido as condições de aprendizado que o habilitariam à vida.
E, em outro exemplo, o que tem em casa facilidades sem responsabilidades.

Ele experimenta essa ilusão de hoje sem se lançar na quebra dessa inércia. Sem saber ainda a amarga cobrança que a vida vai exercer sobre ele em forma de frustração no campo da realização pessoal e, na vida do espírito, em forma de oportunidade perdida.

Talvez não baste uma crítica a esse estado de coisa ou a esses jovens e crianças. Talves sejamos nós mesmos (no sentido amplo) que não estejamos sabendo como educá-los.

Aqui é o avô desprovido ou não, que cobre as despesas do neto sem maiores ponderações; ali é o aposentado alquebrado que financia no INSS um empréstimo para despesas dos filhos que não têm compromissos com a
responsabilidade; acolá é o professor que deixa passar ao largo os desvios do aluno; mais adiante é a tia ou o tio que acham engraçado a “má criação” do sobrinho, e, muito próximo, são os próprios pais, muito preocupados com o seu próprio mundo, desconhecendo o mundo íntimo de seus filhos.

Jovens que pensam que têm todo o tempo do mundo para as suas realizações no campo do compromisso com a vida.

Depois eles vão se voltar contra esses mesmos que sustentaram suas ilusões, que terão como retorno que sustentá-los além da conta, pois pouco, quando nada, poderão produzir por sua própria conta e interesse.

Poderão se voltar também contra a própria sociedade que fabricou as ilusões e que agora abrigará em seu seio possíveis párias, quando não marginais.

Facilidades em excesso muitas vezes se transformam em taça de féu pelo vazio que se traduz. Esforço próprio é recompensa em forma de paz de consciência pelo dever cumprido e progresso alcançado.

E isso tudo começa no berço. O “nana neném”, poderia ter continuidade; algo como, “estuda e trabalha meu filho; ama a vida e aprende com ela; esse é o caminho da realização e da felicidade”. Assim, a Cuca não vai pegar; não haverá choro e ranger de dentes.

Essa é, infelizmente a realidade. Porém, como disse Bill Gates, aqueles mais aplicados provavelmente serão os chefes do futuro.

E aí damos uma visão mais ampla a isso: serão os que estarão, provavelmente, à frente de tudo e não somente das empresas. Aliás, essa idéia se encaixa com o que dizem os espíritos em A Gênese, capítulo XVIII, a
respeito da Geração Nova, no sentido mais voltado à questão da regeneração da humanidade pela renovação dos espíritos, guardada a necessidade de oportunidades aos espíritos renitentes no mal. E as oportunidades estão aí, nas sucessivas encarnações. Pena que muitos não estão sabendo aproveitar, solapados pelos enganos do mundo.

Se conseguirmos fazer com que os nossos jovens e crianças compreendam isso, já teremos feito alguma coisa para mudar esse estado de coisas. Viver no mundo sem ser do mundo. Mais ainda: contribuir para a construção desse mundo melhor.

E, nesse caso, não está se colocando a defesa da competição desvairada, como se viu e ainda se vê, depois da abertura econômica, onde tudo era aceito em nome da competitividade.

Não está se colocando o orgulho de ser o melhor, mas apenas a constatação de que podemos ser mais do que somos. De que podemos ser mais felizes do que somos.

O que se busca é uma sociedade mais comprometida com o seu destino glorioso de emancipação para Deus. Afinal, não é isso que todos queremos, um mundo melhor, uma sociedade mais justa, mais humana?

Felizmente temos jovens e pessoas em geral modificando o mundo para melhor, ocupando cargos que, de uma forma ou de outra, contribuem para um estado de transformação. Alguns são até perseguidos por isso.
Vemos isso nas instituições humanas em geral. É uma mudança lenta, mas já salta aos olhos.

Somos agentes dessa mudança; do soerguimento dos valores humanos.

O espírito encarnado sofre a influência do meio.

Sabemos, no entanto, que o espírito pelo livre-arbítrio pode resistir ou se entregar aos arrastamentos que o seu passado sugere, fortalecidos pelo meio em que vive. 

Porém, a continuar essa situação, na qual uma sociedade já não se identifica com os seus valores, onde o pior é o melhor, então fica ainda mais
eloqüente essa influência do meio sobre o espírito encarnado.

Por isso, cada vez mais o espírito que reencarna, terá que ter forças ainda maiores para resistir ao mundo.
E os pais, familiares e educadores de uma forma geral, tem papel preponderante na construção de um futuro melhor para a sociedade.

A criança é planta tenra que precisa ser preservada da erva daninha.

Que papel estamos exercendo, o de ceifeiros ou de erva?

Os meios de comunicação, que, ao que parece, têm sido o grande vilão desse estado de coisas, poderão, quando a sociedade assim o desejar, exercer papel preponderante nessa melhoria, pois têm essa competência, facilitando o trabalho dos pais e educadores.

Como educadores, seja de que matiz for, podemos contribuir para minorar essa dura realidade. Podemos começar por não alimentar as ilusões nas nossas crianças e jovens. Afinal, pelo estudo e trabalho edificante, o espírito encarnado têm outras opções que não apenas a das ilusões que assolam o mundo.

Não basta fazer a nossa parte; é preciso também que facilitemos aos que estão sob nossa responsabilidade nessa encarnação para que por sua vez façam a parte deles. E as facilidades que estamos colocando a eles
precisam do selo de qualidade da boa influência.

A quantas andamos nós nessa tarefa?

Um abraço a todos.
Anderson

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